O filme “Nós que aqui estamos por vós
esperamos”, de 1999, é dirigido e roteirizado por Marcelo Massagão, que traz à
tona a visualização de forma impactante da história do século XX. Com recortes
de imagens reais e de filmes, com um áudio cuidadosamente selecionado, Massagão
faz os espectadores se fascinarem e indignarem com um documentário de cenas
emocionantes e muitas vezes perturbadoras de sujeitos anônimos e notáveis da
história mundial.
O século XX foi marcado por uma
evolução tecnológica assombrosa, seja ela para o benefício dos seres humanos ou
para sua própria destruição. Impossível não perceber no documentário a
capacidade do homem de destruir. Percebemos cenas de guerra que nada lembram os
filmes hollywoodianos, onde sempre morrem sujeitos inexpressivos e os mocinhos
triunfam. Cenas reais de guerra são sempre chocantes. A violência, hoje
banalizada nos noticiários de televisão, é mostrada por Massagão de uma maneira
que, ao mesmo tempo em que choca, sensibiliza para uma reflexão sobre o tema.
Personagens históricos marcantes da selvageria e do horror, como Hitler e
Stalin, contrastam com personagens e cenas maravilhosas, como a dança dos
gênios Mané Garrincha e Fred Astaire.
Não há como deixar de notar algumas
evoluções ocorridas no século passado. O filme apresenta as conquistas sociais
femininas que, apesar de tardias, acabaram por ocorrer. Até mesmo a comunicação
de volta para casa de algumas tropas norte-americanas da guerra do Vietnã
emociona o espectador. Fica a esperança nas cenas dos protestos contra as
guerras e da contracultura de Woodstock.
Acredito que a mensagem do filme
talvez seja a de esperança. A esperança de uma melhora. A eterna transição
histórica, quem sabe, nos faça refletir e possamos melhorar. O documentário
prova que a memória é algo que pode eternizar um momento, uma pessoa, ou apenas
seja algo para esquecer e recomeçar. Morremos, mas deixamos um legado para ser
lembrado. A abordagem do filme em relação à morte talvez traga um pouco disso. A
morte é certa, a memória é incerta, ou quem sabe eterna.
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