domingo, 8 de setembro de 2013

Análise Crítica do filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos”




          O filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos”, de 1999, é dirigido e roteirizado por Marcelo Massagão, que traz à tona a visualização de forma impactante da história do século XX. Com recortes de imagens reais e de filmes, com um áudio cuidadosamente selecionado, Massagão faz os espectadores se fascinarem e indignarem com um documentário de cenas emocionantes e muitas vezes perturbadoras de sujeitos anônimos e notáveis da história mundial.
          O século XX foi marcado por uma evolução tecnológica assombrosa, seja ela para o benefício dos seres humanos ou para sua própria destruição. Impossível não perceber no documentário a capacidade do homem de destruir. Percebemos cenas de guerra que nada lembram os filmes hollywoodianos, onde sempre morrem sujeitos inexpressivos e os mocinhos triunfam. Cenas reais de guerra são sempre chocantes. A violência, hoje banalizada nos noticiários de televisão, é mostrada por Massagão de uma maneira que, ao mesmo tempo em que choca, sensibiliza para uma reflexão sobre o tema. Personagens históricos marcantes da selvageria e do horror, como Hitler e Stalin, contrastam com personagens e cenas maravilhosas, como a dança dos gênios Mané Garrincha e Fred Astaire.
          Não há como deixar de notar algumas evoluções ocorridas no século passado. O filme apresenta as conquistas sociais femininas que, apesar de tardias, acabaram por ocorrer. Até mesmo a comunicação de volta para casa de algumas tropas norte-americanas da guerra do Vietnã emociona o espectador. Fica a esperança nas cenas dos protestos contra as guerras e da contracultura de Woodstock.
          Acredito que a mensagem do filme talvez seja a de esperança. A esperança de uma melhora. A eterna transição histórica, quem sabe, nos faça refletir e possamos melhorar. O documentário prova que a memória é algo que pode eternizar um momento, uma pessoa, ou apenas seja algo para esquecer e recomeçar. Morremos, mas deixamos um legado para ser lembrado. A abordagem do filme em relação à morte talvez traga um pouco disso. A morte é certa, a memória é incerta, ou quem sabe eterna.

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