domingo, 24 de novembro de 2013

"Bastidores" de um Museu: Uma visita ao MCT-PUCRS



 Existem vários tipos de museus, sendo o mais conhecido o tradicional. Um museu tradicional que podemos destacar é o do tipo interativo. Ele assemelha-se ao museu ortodoxo clássico, porém o visitante pode interagir com os objetos em exposição. Do mesmo modo que o ortodoxo, o museu interativo limita-se a um edifício, seus núcleos são bem definidos, mas o espaço onde a exposição ocorre não é bem delimitado. Nessa tipologia, não há um roteiro a ser seguido, mas ela apresenta conjuntos interativos; por esse motivo, há uma demanda grande de monitores para assessorarem os visitantes. Assim como no museu ortodoxo, há também certa ênfase no objeto, mas o trabalho é mais voltado para os conceitos; logo, a compreensão da exposição só é possível com a participação do visitante, tendo como foco a percepção e o tempo da pessoa. Em geral, a estética do ambiente não é tão importante, mas deve-se ressaltar que o lugar deve ter uma aparência agradável para estimular o visitante a descobrir e experimentar.
No dia 21 de novembro, a turma do curso de Museologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na disciplina de Museologia no Mundo Contemporâneo, ministrada pela professora Zita Possamai, fez uma visita aos “bastidores” de um exemplo dessa tipologia de museu que é o Museu de Ciências e Tecnologia (MTC) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Com aproximadamente 700 equipamentos expostos para interação, o MCT destaca-se pela estrutura e organização surpreendente, com uma área de exposição com mais de dez mil metros quadrados.
Em uma tarde de grande aquisição de conhecimento, pudemos entrar em contato com a estrutura “invisível” da instituição que faz o MCT acontecer. Após algum tempo de uma palestra sobre o início da caminhada do Museu, pudemos ver o que está por trás da estrutura notável do MCT. No subsolo do lugar, conhecemos grandes coleções, como as de ictiologia, paleontologia e arqueologia. Ainda apreciamos um setor muito interessante, que diz respeito à área da arte dentro do museu. Artesãos empenham-se para representar no MCT lugares e animais já extintos, além de planetas e objetos para aguçar nossas imaginações.
É de grande valor que alunos de museologia conheçam como funcionam museus das mais diversas tipologias em suas regiões. A visita ao MCT da PUCRS veio a colaborar para entender como as estruturas dos museus trabalham para um melhor fazer museológico. Grandes, médias ou pequenas estruturas museais serão desafios para futuros profissionais na área museológica; sendo assim, conhecê-las é algo essencial para uma boa formação acadêmica e profissional. 
Prof. Zita e turma no MCT-PUCRS




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Patrimônios Intangíveis: a Internet e os Museus



            O presidente do Instituto Ibérico do Património Nuno Moreira é graduado em Conservação e Restauro pela Escola Superior de Conservação e Restauro, especializado nas áreas de conservação preventiva e de materiais arqueológicos, pós-graduado em Museologia pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, doutor em Ciências da Arte na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
            Em seu artigo, Moreira questiona-se sobre os patrimônios intangíveis do século XXI. Destaca a internet como meio facilitadora da comunicação mundial, observando suas contribuições dos mais diversos modos para os seus usuários, tanto positivo quanto negativo. Relata a crescente importância do patrimônio intangível atualmente, como a dança, a gastronomia, as tradições entre outros referenciais de memória que são aceitos pela sociedade e que contribuem para a construção da identidade de um povo. Ainda, menciona a dificuldade de conceber tais patrimônios em uma perspectiva museográfica, já que muitos desses elementos requerem para seu maior entendimento uma experiência sensorial.
            Destaca-se no artigo a crescente utilização da internet no século XXI e o aumento do número de museus virtuais, com espaços físicos e coleções devidamente constituídas, que apostam nessa nova ferramenta para divulgação de suas instituições. Assim, suas coleções tornam-se patrimônios intangíveis, pois a sua materialidade resume-se a uma imagem gerada por um computador. Afirma que essa forma de musealização ganhará cada vez mais espaço nos meio museal e que esses objetos intangíveis em nada perderão em qualidade, valor estético, cultural e até social de alguns patrimônios.
            Acredito que a internet veio em muito a contribuir para a Museologia. Pessoas que não tem oportunidade de conhecer determinados museus, atualmente, podem em apenas alguns cliques visitarem suas instituições preferidas. O desafio desta prática esta justamente na impossibilidade da relação direta com o objeto musealizado. Diferente das musealizações de determinadas práticas (saber fazer entre outras coisas), o objeto tradicional detém uma magia que sua observação/reflexão não teria caso fosse digitalizado em algum museu. Sem dúvida, há grande importância da internet na contribuição para o fazer museal, porém ainda existem barreiras a serem ultrapassadas que apenas com o tempo poderão ser resolvidas. O museu virtual contribui em muito na divulgação das instituições, por outro lado não as substituem.    


MOREIRA, Nuno. Patrimónios Intangíveis em Portugal. Revista Museu, 2004. Revista digital. Disponível em: <http://www.revistamuseu.com.br>. Acesso em: 12 nov. 2013.